
A nossa escola participa ativamente do Projeto Semeando, sob a coordenação da professora de Ciências, Márcia Frota.
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Através de contato via e-mail, ontem, com o jornalista José Prates do montesclaros.com para felicitá-lo por tão maravilhosa crônica, este respondeu de forma tão respeitosa e carinhosa que quero dividir um trecho da resposta com vocês: "Agradeço seu e-mail e ficarei lisongeado com a inclusão de minha crônica nas homenagens ao grande Candido Canela que saiu da vida e entrou para a história de nossa querida terra. Essa cronica foi escrita a pedido de minha sobrinha..." José Prates Cândido Simões Canela... Faz muito tempo que eu o conheci; faz anos a última vez que o vi. Que eu o conheci, foi nos anos quarenta, por volta de quarenta e cinco, quando a ZYD-7, Rádio Sociedade Norte de Minas, naquela época, a única da região, mantinha programas de auditório que atraiam muita gente, lotando seu auditório que ficava na Rua Quinze. Um desses programas, show de música sertaneja apresentado no auditório e ouvido em todos os recantos do sertão mineiro, era produzido por Candido Canela e Antonio Rodrigues. Um programa "sertanejo" que encantava quem o assistisse ou ouvisse, não só pela beleza das musicas, mas, também, pela originalidade dos "causos" que eram contados pelos dois, vivendo os personagens Chico Pitomba e Mané Juca. Naquele tempo, sem televisão, o que chegava aos lares vinha pelas ondas do rádio e as emissoras mantinham programas os mais variados para satisfazer aos milhões de ouvintes por esse mundo a fora. A Rádio Tupi, por exemplo, a segunda emissora do país, tinha Jararaca e Ratinho com programa humorístico no mesmo estilo sertanejo do que foi criado na ZYD-7 por Candido Canela, sem conseguir, porem, igualar a ele porque lhe faltava a autenticidade na maneira de falar do sertanejo e a brejeirice na musica, coisa que Candido fazia com maestria. Naquele tempo, um aparelho de rádio era mais importante que um aparelho de TV, hoje. Nas fazendas onde existiam aparelhos receptores de rádio, o que não era raro, no dia e hora do programa de Chico Pitomba e Mané Juca, todo mundo juntava na casa grande para ouvir as musicas sertanejas cantadas a duas vozes e os "causos" por eles contados que até pareciam de verdade. No meio do programa, vinha a dona da casa com a bandeja de café, acompanhado de biscoito frito que completava a festa. Em 1951 quando ingressei no O Jornal de Montes Claros, é que fui conhecer pessoalmente Candido Canela, no cartório de títulos e documentos, quando ele, pessoalmente, me orientou na legalização do jornal para conseguir autorização para importação do papel chamado "linha d'água" para impressão do jornal que, até então, era impresso em papel comum. Até ai eu conhecia o Candido Canela "caipira" e humorista, mas, não conhecia o cidadão amigo e prestativo que era ele. Foi, então, a partir daquele dia, nos contatos mais freqüentes, por obra do jornalismo, comecei a conhecer o poeta magnífico, sensível à beleza da vida. Sempre gostei da poesia sertaneja de Catulo da Paixão Cearense por quem tinha grande admiração. Conhecendo a poesia de Candido, às vezes publicadas no suplemento dominical do jornal, chegamos à conclusão, podendo mesmo afirmar com segurança, que foi a poesia matuta de privilegiados como Catulo e Candido que levou ao Brasil inteiro a beleza poética do linguajar do agreste e o romantismo sertanejo. Foi nessa mistura de dor e poesia que Candido nos trouxe através de seus versos, a sabedoria popular e a beleza romântica da inocência do sertanejo campesino. A sua poesia nos faz renascer, voltando ao passado, ouvindo o cantar das "modas" por moças sentadas em roda, quebrando o silencio da noite, na rua iluminada pela lua cheia que navega no céu sem nuvens. Da lembrança brota a saudade despertando a vontade de voltar no tempo. A poesia na linguagem caipira expressa a singeleza, a ingenuidade e o sentimento puro do povo simples do campo. Candido Canela soube criar e manter dentro de si a poesia que encanta, para solta-la na sua voz de "caboclo" no grande palco da eternidade. Ele partiu. Sua poesia ficou sendo passada de geração a geração através de seus livros, num legado precioso. (José Prates, 81 anos, é jornalista e Oficial da Marinha Mercante. Como tal percorreu os cinco continentes em 20 anos embarcado. Residiu em Montes Claros, de 1945 a 1958, quando foi removido para o Rio de Janeiro, onde reside com a familia. É funcionário ativo da Vale do Rio Doce, estando atualmente cedido ao Sindicato dos Oficiais da Marinha Mercante, onde é um dos diretores) Fonte: www.montesclaros.com __________________________________________________________________________ Veja BIOGRAFIA de CÂNDIDO CANELA em: |


Cândido Canela / Téo Azevedo
Saracurinha três-potes, bonita e voa serena
Cantora do meu sertão, saudade feita de pena
É o relógio sertanejo quando a tarde vai morrendo
Despertar da madrugada quando o dia vem nascendo.
Seu canto tem a mistura, alegria e tristeza,
A flauta que Deus lhe deu pelas mãos da natureza
À tardinha ela canta junto a ave-maria
Ai, outra vez nos encanta quando vem rompendo o dia.
Saracurinha três-potes dueto concerto alado
Saudade feita de pena lembrança do meu passado
És a rainha do brejo, de coração e garganta,
Um lírio da madrugada, a flor cheirosa que canta.
És a princesa das águas, trovando quando ela voa,
Pondo um pouco de alegria, nas tristezas da Alagoa.
És a ternura da tarde, quando a noite vem chegando,
A lagartinha de fogo, os pirilampos voando.
À noite canta o curiango, joão-corta-pau no cerrado,
Pulando a beira da estrada, cantando de lado a lado.
És a manhã de orvalho, de sol mansinho beijada,
Abrindo a boca ainda quente dos beijos da madrugada.
In: descortinandoasletras.blogspot.com
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Veja letra da música Ternos pingos de saudade de Cândido Canela/ Música Téo Azevedo em:
http://descortinandoasletras.blogspot.com/2010/08/ternos-pingos-de-saudade_05.html
Letra: Cândido Canela
Música: Téo Azevedo
Ternos pingos de saudade
Lampejos do coração
Pedaços de lua cheia
Caindo pela amplidão.
Ternos pingos de saudade
Viola feita em canção
Pôr de um sol amortecido
Tardes mortas do sertão.
Arrulho da pomba rola
E o triste do jaó
Da zabelê
E das catingas
E do inhambu chororó.
Do canto da mãe da lua
Da inhuma triste choreira
Do caburé lamentando
Na fronde
Da gameleira.
Ternos pingos de saudade
Noite alta
Céu brilhante.
Relinchar de um potro ao longe
Cantar de um galo distante.
Ternos pingos de saudade
Saudade que não consola
Batucada sertaneja
No pontear da viola.
Ternos pingos de saudade
Juventude que se foi
Triste canto da madrugada
De um velho carro de boi.
Gemer de um engenho ao longe
Moendo chorando à toa
Qual a voz de um cururu
Bem distante na lagoa.
In: descortinandoasletras.blogspot.com
Com este poema/música, os autores participaram de concurso musical, a nível nacional, da Rádio Record de São Paulo, sendo classificados em primeiro lugar geral.
Para ouvir Ternos pingos de saudade na voz de Jackson Antunes, vá em: http://paraisosertanejo.blogspot.com e clique em - Marcadores - Téo Azevedo e convidados (1º Encontro de Violeiros- Brasil com S - Faixa 5).